Não preciso mas tu sabes como eu sou
Encaminho-me pouco divirto-me assim nas copas
Das árvores soprando pensamentos para o mundo que há de noite.
As pessoas quando acordam são outras, já sabias,
Essa névoa contemporânea do medo miudinho
Que perdemos nas cidades e nos corpos, tu entraste
Antes de mim nos jogos, o enxofre da música e o
Lago do feitiço, inocente homem breve que sonha
Tu bem sabes.
Depois aluguei a bruxa por uma vasta noite.
E a minha vida mudou, a noite cresceu,
A vertigem ardeu-me nos braços até a sangria
Do tédio quando para sempre julguei que te perdia.
Na luta perdi um ou dois braços,
Mais do que o que tinha. Mas esta memória é um palácio,
São corais no pensamento. Jardins e fantasmas,
O gume nas mãos sorvendo, criança estratosférica
E profunda: sem braços e agora sem mais nada.
Não me percebeste, enchi-me de fúria.
É uma arte, queria eu dizer, matar sem retrocesso e
Atraso – ah aqueles braços para apoiar as mãos - ,
Ceifando. Saturno.e.o.vento.na.proa.erguendo.
O: navio:no:mar:parado:parado: completamente.
Parado.como dizer? Não dizer, eu sou.uma vida
Medonha e múltipla. E agora descanso
Deitado nestas mãos que mexem
Sem apoio, sabes, nascendo dos teus olhos
P’la manhã.
Rui Costa
.
.
.
espheras espalhadas memórias em eco
6 de Outubro de 2011
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)
Acerca de mim
Arquivo do blogue
- Fevereiro (6)
- Janeiro (5)
- Dezembro (5)
- Novembro (3)
- Outubro (7)
- Setembro (3)
- Agosto (11)
- Julho (5)
- Junho (24)
- Maio (16)
- Abril (7)
- Março (21)
- Fevereiro (1)
- Dezembro (2)
- Novembro (2)
- Outubro (2)
- Setembro (8)
- Agosto (5)
- Julho (5)
- Junho (2)
- Maio (5)
- Abril (5)
- Março (11)
- Fevereiro (14)
- Janeiro (10)
- Dezembro (1)

0 ecos:
Enviar um comentário